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AXIA Energia conclui manutenção da Usina Hidrelétrica de Colíder e consolida resgate e proteção de espécies ameaçadas
Operação de reenchimento do reservatório mobilizou tecnologia aeroespacial, estrutura veterinária, mais de 370 profissionais e 16 mil monitoramentos para garantir a preservação da fauna no Rio Teles Pires.
Por Administrador
Publicado em 08/04/2026 08:52
Geral
Divulgação

A AXIA Energia concluiu com sucesso, em março de 2026, a operação de reenchimento do reservatório da Usina Hidrelétrica de Colíder. O retorno à cota operacional de 272 metros marca o encerramento do período de manutenção estrutural iniciado em 2025 e consolida um dos maiores e mais complexos programas de manejo de fauna da Amazônia mato-grossense. Com um investimento massivo em logística e pessoal, a companhia registrou a marca impressionante de mais de 16.150 monitoramentos de espécimes na área de influência do empreendimento.

Para evitar impactos bruscos, o reenchimento foi gradual, com uma taxa média de 20 centímetros por dia. "As ações de resgate, atendimento veterinário e monitoramento reforçam o compromisso da AXIA com a conservação. O trabalho não se encerra com o reenchimento. As atividades continuarão para verificar a adaptação dos animais, assegurando que a fauna se mantenha saudável e estável", destaca o diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da Operação da AXIA Energia, Jader Fernandes.

TECNOLOGIA E LOGÍSTICA 

A operação de campo assemelhou-se a uma força-tarefa de alta complexidade. A AXIA mobilizou mais de 370 profissionais, incluindo biólogos, veterinários, engenheiros ambientais, florestais e químicos. A estrutura contou com 70 embarcações, helicópteros para sobrevoos de fiscalização, drones de mapeamento e sistemas de comunicação via satélite Starlink.

"Trouxemos o que há de mais avançado a Colíder. A AXIA mantém um centro meteorológico próprio no Rio de Janeiro que monitorava o clima em tempo real, fornecendo dados inclusive para as prefeituras locais", afirma Jader Fernandes. Segundo o diretor, essa estrutura permitiu uma visão ampla do reservatório, garantindo que o plano de contingência ambiental fosse executado com precisão científica.

OPERAÇÃO DE RESGATE

Embora o reenchimento lento tenha priorizado o deslocamento natural dos animais, a intervenção humana priorizou pontos de risco. Ao todo, 13 equipes especializadas atuaram no terreno, doze delas embarcadas e uma fixa no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).

A estrutura do Cetas foi instalada em uma pousada às margens do reservatório, funcionando como uma clínica veterinária completa. João Cabeza, gerente de Meio Ambiente da Operação Colíder, explica que a proximidade com o habitat natural foi fundamental. "Isso reduziu o estresse do animal e facilitou a reintegração. Registramos 46 espécies diferentes apenas durante o reenchimento, mas a taxa de resgate direto foi mínima, de apenas 28 indivíduos, justamente porque o processo lento permitiu a fuga espontânea", informa.

Entre os resgates mais emblemáticos estão quatro filhotes de araras canindé e vermelha, encontrados em cavidades de ninhos naturais. Por serem jovens e dependentes, foram estabilizados na clínica da AXIA e encaminhados para um centro de reabilitação em Sorriso, indicado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), onde aguardam a reintrodução na natureza.

ESPÉCIES AMEAÇADAS

O balanço final do monitoramento revelou uma biodiversidade riquíssima e, em muitos casos, rara. Foram catalogadas 138 espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios. O trabalho de campo permitiu a observação de animais categorizados em diferentes graus de ameaça, o que atesta a qualidade das áreas de preservação mantidas pela companhia.

Entre os destaques da fauna monitorada, a operação registrou uma diversidade biológica expressiva, com especial atenção aos primatas, como o cuxiú, o macaco-aranha-da-cara-branca, o macaco-aranha-da-cara-preta e o zogue-zogue-de-mato-grosso, espécie descrita recentemente a partir de estudos realizados pela própria companhia.

O levantamento também confirmou a presença de grandes mamíferos importantes para o equilíbrio do ecossistema, a exemplo da anta, da ariranha, da lontra e da onça-pintada. No grupo das aves e répteis, as equipes documentaram a presença da majestosa harpia (gavião-real), do tracajá e de diversas serpentes, incluindo espécimes de grande porte como sucuris e jiboias. "Saber que esses animais permanecem na região é um indicador de saúde ambiental", avalia João Cabeza. 

De acordo com Karinne Siqueira, gerente executiva de Gestão de Licenciamento da AXIA Energia, a operação foi marcada pela transparência total com os órgãos reguladores. "Enviávamos boletins diários à Sema-MT, e as vistorias semanais confirmaram que o impacto foi mitigado com êxito", relata.

CONTINUIDADE

Com a retomada da capacidade plena de geração de energia — 300 MW, suficientes para 850 mil habitantes —, a AXIA Energia não desmobiliza suas frentes ambientais. As equipes de resgate permanecerão em prontidão por mais 60 dias após o enchimento oficial, que ocorreu em 18 de março.

Para a jornalista Maria Mazzei, assessora de imprensa da AXIA Energia, o sucesso da operação reside no planejamento iniciado ainda em 2025, durante o esvaziamento do lago. "O tempo dado para que os animais se deslocassem por conta própria foi o diferencial. O volume de avistamentos foi enorme, mas o de resgates foi pequeno, o que é o melhor cenário para a conservação", enfatiza. 

CRISE ESTRUTURAL EM 2025

O cenário de normalidade atual é fruto de uma "operação de guerra" iniciada em meados de 2025. Naquele período, vistorias técnicas de rotina identificaram uma anomalia crítica, resultado de um processo de carreamento de material (erosão interna) no dreno de fundo da barragem. 

Diante do risco de comprometimento da segurança estrutural, a AXIA tomou a decisão drástica de realizar o esvaziamento controlado do reservatório. O nível da água foi reduzido da cota 272m para cerca de 255m, expondo pedrais e fazendo o Rio Teles Pires retomar contornos de seu leito original.

As primeiras medidas incluíram a ativação do Plano de Ação de Emergência (PAE), elevando o status da usina para "Alerta". A prioridade inicial foi a comunicação transparente com a Defesa Civil de Colíder, Itaúba e Nova Canaã do Norte, além da mobilização de consultores internacionais para validar os reparos, Mesmo com esse desafio a usina nunca deixou de gerar energia, operando na sua normalidade. 

Paralelamente, uma força-tarefa ambiental foi montada para mitigar o impacto da descida rápida das águas, que isolou milhares de peixes em poças e desorientou a fauna terrestre nas margens.

Fonte: Nortão Online

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